Entrevista: Luiz Salvatore - Engenheiro

Concedida à Audio Dicas em 18/01/2003

Por Holbein Menezes


"Sou um apaixonado por música, freqüentador assíduo de salas de concerto, que desenvolve e monta amplificadores na tentativa (utópica...) de ter dentro de casa o mesmo som que me apaixona em uma sala de concerto. Hoje, desenvolvo minhas atividades na área de telecomunicações, mas mantenho em paralelo minhas atividades de projetista e construtor de produtos de áudio."


Preâmbulo: Fale-me da sua empresa e indique endereços de contato. Informe aos leitores sobre sua experiência com alta-fidelidade. É você também um ouvinte de música ou apenas um Engenheiro que constrói amplificadores?

Resposta: Não gosto de falar de minha pessoa, mas não posso deixar de atender ao seu pedido. Fui diretor e fundador da Gradiente, em 1964, juntamente com outros amigos que tinham interesse por música e sua reprodução. Desde então, fui o projetista responsável por todos os produtos da empresa até 1974, quando me desliguei da sociedade e fui convidado para dirigir tecnicamente a Polyvox, o que fiz até 1981. Comecei a lidar com alta-fidelidade ainda com calças curtas, com cerca de 14 anos, altamente incentivado por meu pai, advogado, fotógrafo e pianista amador, e grande apreciador de música. Assisti meu primeiro concerto de musica clássica com cerca de 6 anos de idade, ocasião em que foi executado o Concerto nº 5 - "O Imperador" - de Beethoven, que me marcou profundamente, delineando de forma definitiva minha total preferência pela música erudita.

Foi aí por volta de 1956 que devo ter construído meu primeiro amplificador valvulado, com projeto e orientação de Emilio Alves Velho, um grande amigo, o qual me ensinou o bê-á-bá do áudio. Seus diversos projetos valvulados incluíam o que provavelmente foi o primeiro amplificador "Single Ended" desenvolvido no Brasil. Ainda nesse ano, meu interesse técnico foi despertado para os transistores, tendo conseguido alguns exemplares através de um amigo nos USA, dispositivos que vim a utilizar em inúmeros projetos ao longo de minha atividade profissional.

Resumindo: sou um apaixonado por música, freqüentador assíduo de salas de concerto, que desenvolve e monta amplificadores na tentativa (utópica...) de ter dentro de casa o mesmo som que me apaixona em uma sala de concerto. Hoje, desenvolvo minhas atividades na área de telecomunicações, mas mantenho em paralelo minhas atividades de projetista e construtor de produtos de áudio.

Meu endereço para contato é:
LAS E Associados, Consultores
Estr. de Itapecerica Km 30 Cond. Royal Park
Itapecerica da Serra, CEP 0658-000 - Brasil
email: luiz.salvatore@lasconsultores.com.br
tel/fax: (11) 4667-1059



Pergunta um: No estágio de desenvolvimento a que chegou a eletrônica do estado sólido, em especial com os chipes de última geração criados com a eletrônica da informática, há ainda lugar para a eletrônica valvular? E por que a escolha de triodo, com sua pouca eficiência, em vez de pentodo? Com as caixas pouco sensíveis de hoje, potência não passa a ser essencial?

Resposta: Os chipes de ultima geração, como os DSPs, são fundamentais para a criação do ambiente sonoro, efeitos surround e descodificação multicanal (Dolby, DTS, SACD). Nada disso poderia existir se não houvesse tais dispositivos. Criar tal mundo tecnológico com válvulas é impossível, precisaríamos de prédios inteiros para abrigar um simples processador... Entretanto, a válvula ainda tem seu lugar na amplificação e manipulação de potência do sinal, uma vez que a válvula é um dispositivo altamente linear, por ser mecânico, passível de reprodução física dentro de parâmetros muito controlados.

O uso do triodo preferencialmente ao pentodo deve-se a já citada linearidade, que no triodo é muito alta. Linearidade é essencial para circuitos de baixa distorção, sem uso de "feedback". Evidentemente, o projetista se defronta com diversos compromissos a serem atendidos, e todos são mutuamente exclusivos. Se precisamos potência com eficiência, usamos pentodo, mas temos que usar realimentação; se queremos qualidade, usamos triodo, mas lá se vão a eficiência e a alta potência..., e assim por diante.

Quanto às caixas, o parâmetro sensibilidade tem, na verdade, um peso a ser considerado, mas para uma instalação residencial, sensibilidades em torno de 89dB/W/m já são suficientes para uma boa reprodução a um nível sonoro civilizado, com potências de amplificadores em torno de 18W. Note-se que os fabricantes ingleses já adotavam uma especificação de potência para o amplificador adequado a cada caixa acústica, por faixa de potência, isto há muitos anos atrás. Hoje este procedimento é comum. É importante que o futuro audiófilo ou videófilo defina de antemão qual será seu interesse, se música, se filmes etc. pois essa definição terá importância vital na seleção dos amplificadores, caixas e componentes do seu sistema de som ou home theater. Tenho casos de instalações onde o sistema de som para música é exclusivo, com componentes de qualidade "high-end", e o sistema de home-theater fica em outro local, com componentes específicos para essa função, e, naturalmente, com grande potência.


Pergunta dois: Nos recuados anos 50, quando imperavam Frank McIntosh e Peter Walker, o principal “improved” de seus afamados projetos residia na concepção revolucionária dos transformadores de saída, uma vez que os circuitos eram variações do circuito Williamson. Nesse tempo, os transformadores eram o ponto fraco dos amplificadores valvulados, a roubar destes dinâmica e transitórios. Mudou essa situação nos dias de hoje? Que de especial têm os transformadores de saída de seus amplificadores?

Resposta: Os projetos da McIntosh e da Quad são talvez os mais criativos da história dos valvulados. Não se trata do transformador de saída somente, mas da configuração (modernamente chamada de topologia) do circuito transformador/válvula. Existe uma profunda interação entre estes componentes, e podemos corrigir deficiências inerentes aos dois mediante topologias criativas e apropriadas. Mas insisto: o transformador sozinho não faz um bom circuito, mas sim a correta combinação das válvulas com o transformador. McIntosh conseguiu essa proeza, com a utilização destes componentes de forma absolutamente original, objeto de patente que perdurou até alguns anos atrás. Hoje mudou o panorama. No lado dos transformadores: modelagem em computador, novos materiais e novas técnicas industriais permitem a obtenção de transformadores muito próximos do modelo teórico.

No lado das válvulas: a Rússia manteve o desenvolvimento técnico destes dispositivos, sobretudo válvulas de potência e triodos, mesmo após o advento dos semicondutores. Em meus amplificadores estou utilizando transformadores de saída toroidais projetados no exterior, e importados, bem como válvulas triodo da Svetlana.


Pergunta três: A propósito de Frank e Peter, seus melhores projetos exibiam uma resposta de freqüência de 20 a 20 KHz, com uma variação de mais ou menos 0,10% nas médias freqüências; a distorção harmônica, menor que 0,5%; a distorção por intermodulação situava-se também na casa dos 0,5%; a relação sinal-ruído, de –90dB; a impedância de saída interna era menos do que 10% da impedância de carga; o phase shift era menor que 8º, na faixa de 20 a 20KHz, e o fator de amortecimento não ultrapassava a marca de 30. Quais são as especificações técnicas de seus amplificadores?

Resposta: Ainda sobre os transformadores: Estou utilizando um transformador cuja resposta de freqüência é de 7Hz a 48KHz (-1dB), com phase shift inferior a 3º, estendendo-se a mais de 50KHz. Quero lembrar que o objetivo de projeto destes amplificadores foi obter o máximo das características de linearidade das válvulas, sem técnicas de correção (feedback). As principais especificações obtidas, nestas condições, para meus amplificadores SE são:

Potência: 18W (versão 572-3)
Potência: 24W (versão 572-10)
Resposta de Freqüência: 25Hz a 60KHz @ 1W
Distorção: inferior a 2%
Relação S/N: > 70dB

OBS: Não é utilizada realimentação negativa para correção de não linearidades ou ruídos. Utilizamos realimentação de 2 dB exclusivamente para um melhor controle do comportamento dos alto-falantes em baixas freqüências.

Poderíamos obter resultados muito mais impressionantes apenas aplicando uma taxa maior de realimentação, digamos, cerca de 12 a 14 dB como era habitual na década de 50 do século passado, mas estaríamos fugindo ao objetivo de projeto.


Pergunta quatro: Ainda a propósito de Frank McIntosh e Peter Walker, é sabido que seus transformadores de saída possuíam construção especial. Os McIntosh possuíam dois enrolamentos em ferro de grão orientado em forma de “C”. Os transformadores de saída dos amplificadores que sua firma constrói, que características especiais têm?

Resposta: Ainda hoje, apesar de novos materiais magnéticos, a construção de um transformador de saída exige técnicas especiais. A disposição dos enrolamentos, sua intercalação, a quantidade de fios por enrolamento, essas são variáveis que precisam ser consideradas pelo projetista. A modelagem em computador ajuda muito, mas não cria soluções per se. Atualmente, consideramos o núcleo toroidal o melhor de todos, mas mesmo este possui algumas desvantagens, sendo seu manuseio muito complexo sobretudo em escala industrial. O núcleo C, solução muito próxima da toroidal, tenta trazer maior simplicidade industrial, mas ainda carrega algumas das desvantagens dos núcleos tradicionais E/I. De qualquer forma, hoje encontramos não mais do que uns 4 fabricantes com excelentes produtos em ambas as tecnologias (toroidal e C). E todos eles estão fora do Brasil.

Em nosso amplificador SE (single ended) adotamos um toroidal, projetado pelo Eng. Menno Vanderveen, estudioso e projetista de renome internacional, com diversos trabalhos sobre transformadores e válvulas apresentados no AES.


Pergunta cinco: Com ou sem feedback? Por que? Triodo ou pentodo? Por que? Monobloco ou estéreo? Por que? Fonte altamente filtrada ou fonte estabilizada? Por que? Filamento AC ou DC? Por que?

Resposta: Sem feedback. O mecanismo de realimentação negativa é na realidade um sistema de correção de erros. Esses erros são originados nas características não lineares existentes em qualquer dispositivo eletrônico. O feedback introduz parte do sinal amplificado com erros, porém com sinal negativo, na entrada do amplificador de forma a haver uma subtração desse erro, e, portanto, redução da distorção. Note-se que o ponto importante a ser resolvido é o erro. A realimentação não resolve o erro em sua origem, mas atenua seus efeitos. É, portanto, um artefato estranho que não existia no sinal original; foi criado nos circuitos eletrônicos; o erro não é resolvido pela realimentação, apenas atenuado. Isto introduz "colorações" no sinal em sendo amplificado. O chamado "som de transistor" tão combatido há alguns anos atrás era fruto do uso de doses excessivas de realimentação, e o estudo deste fenômeno trouxe à luz os problemas do uso da realimentação, criando a atual tendência de não utilizá-la ou, se o fizermos, adotar doses mínimas. A solução correta é, portanto, resolver os erros na origem dos erros.

Triodos/Pentodo: Triodos, sobretudo os de baixo ganho (gm) são os dispositivos de amplificação mais lineares que podemos utilizar. Outra vantagem muito importante é a resistência de placa (não confundir com resistência de carga), que é muitas vezes mais baixa que a dos pentodos. Esta característica tem papel fundamental no projeto do transformador de saída, notavelmente na resposta de baixa freqüência. Também influi fortemente na impedância de saída interna do amplificador. Uma das razões da fama dos triodos Western 300B reside exatamente nesse fato. O pentodo apresenta valores de resistência de placa 10 a 12 vezes maiores comparativamente ao triodo.

Monobloco/estéreo: Monobloco. Neste quesito o ouvido impera. Por razões não totalmente explicadas, amplificadores tipo monobloco apresentam uma definição e um palco sonoro dificilmente obtido pelos estéreos.

Fonte de alimentação: depende do objetivo de projeto. Amplificadores classe A são muito mais tolerantes, pois seu consumo de corrente é constante. Classe AB já são problemáticos. Por razões de custo e praticidade, penso que se deve, prioritariamente, considerar a quantidade de energia armazenada nos capacitores. Ela é diretamente responsável pela qualidade dos transientes, particularmente os de baixa freqüência. Isto vale para qualquer tipo de amplificador e fonte. (Jeff Rowlland usa baterias de alta capacidade em alguns de seus amplificadores!!). Melhor uma boa quantidade de energia armazenada do que uma estabilização sem energia suficiente.

Filamento AC/DC: Definitivamente DC: aqueles fiozinhos cheios de AC rodando colados aos circuitos de sinal, fora e dentro da válvula são um horror.


Pergunta seis: O que me encafifa nos amplificadores de válvula é o sinal de áudio ter que atravessar os quilômetros de fio ordinário dos transformadores de saída, até chegar aos falantes; sobretudo com os extremos cuidados que hoje se tomam com cabos de interconexão, que custam, alguns, uma pequena fortuna. Ou essa questão de cabos de interconexão é placebo? Qual sua opinião sobre “solda de prata”, que de prata só tem 5%?

Resposta: Existe uma enorme celeuma a esse respeito, mas consideremos o seguinte: enquanto o sinal trafega dentro de um amplificador, seus níveis e correntes são muito baixos aumentando à medida em que se aproximam do estágio final. Até o primário do trafo de saída, as tensões e correntes envolvidas não causam nenhum problema. Claro que estamos falando de uma fiação adequadamente dimensionada, e de muito boa qualidade. Isolação de teflon poderia ser um padrão, mas mesmo em equipamentos aeronáuticos ela só é utilizada nos circuitos altamente críticos. Em áudio, o fabricante deveria seguir os mesmos critérios. Cabos coaxiais internos devem ser tratados com imenso cuidado, pois circuitos de alta impedância como os encontrados em valvulados, ou mesmo em alguns amplificadores estado sólido são susceptíveis a perdas de alta freqüência devido às capacitâncias dos coaxiais. Nesse ponto, todo cuidado é pouco, e a isolação de teflon é recomendada. Se possível evite-se o uso de coaxiais. Em nossos amplificadores SE evitamos o uso interno de cabos coaxiais mediante o uso de uma topologia simples, e conexões ponto a ponto. Quanto à solda, 5% de prata não faz mal algum, mas não creio que os benefícios cheguem a ser notados. Seu uso em áudio apenas faz sentido quando utilizamos componentes que possuem terminais banhados em prata ou ouro.

Do secundário do trafo em diante a coisa muda... Baixas tensões e altas correntes precisam ser transportadas por cabos adequados, com baixa indutância distribuída e alta capacidade de corrente, algo que esses cabos "exotéricos" fazem de forma exemplar. Mas lembro que para o audiófilo ainda existem boas soluções econômicas antes que ele se decida por um alto investimento em cabos de interconexões.

Para os coaxiais de interconexão, além do cabo em si, o audiófilo deve prestar enorme atenção aos conectores, sobretudo os chamados RCA.

Um bom cabo pode ser arruinado por conectores de baixa qualidade (vale para todos tipos de cabos!). Se por alguma razão o audiófilo for montar seus próprios cabos, comece pelo dimensionamento e qualidade dos conectores.


Pergunta sete: Você acredita que um cabo de força faça diferença substancial no desempenho de um amplificador? Você é dos que pensam que a qualidade da corrente elétrica é decisiva para o bom desempenho dos aparelhos eletrônicos? Como engenheiro, acredita que filtros de linha possam corrigir as distorções causadas pela sujeira da rede elétrica?

Resposta: Um bom cabo de força faz diferença. Mas muito mais diferença faz aquela parte do "cabo de força" que fica escondida atrás da tomada na parede. Experimente ligar um aquecedor de ambiente, de 1500W, com um cordão de abajur. Ou ligue-o naquela tomada da sala, esquecida, e veja a temperatura do plugue após uns 20 minutos. Todos entenderão o quero dizer... Se o audiófilo/videófilo se dispuser a comprar uma usina de força de 100W ou mais por canal para seu home-theater de 6 canais, é bom reservar uma verba para uma total revisão e reforço dos circuitos que alimentam a tomada onde vai ser ligado o equipamento, desde o quadro de luz de sua residência (ainda por precaução, verifique a conexão de energia de sua concessionária).

Quanto aos filtros, e depois das providências já tomadas no parágrafo anterior: filtros que corrigem as distorções da rede elétrica existem, mas são complexos e realmente caros. Melhor é a revisão e o reforço aqui sugeridos antes de partir para um desses filtros. Acreditem, neste tópico não existe solução barata.


Pergunta oito: Defuntas a Mullard e a Telefunken, esses russos e chineses de agora, que fabricam válvulas, têm know-how para criar válvulas de qualidade? Fui amigo de Graham Woodville, o criador da válvula KT 66. E Graham costumava me dizer que válvulas não se fabricam, criam-se. Segundo ele, que era o Diretor do Laboratório Central da Mullard, a feitura de uma válvula há que ser sempre um processo artesanal, de caráter científico. Russos e chineses são fabricantes ou criadores de válvulas?

Resposta: De traz para a frente: Chineses fabricam, e se possível evite. Russos, criam e fabricam. Vejam o exemplo da 6C33-B, que foi criada para uso nos Mig 21 e hoje é utilizada em diversos produtos de áudio. No mundo não existe nada similar a este triodo! Após a abertura russa, muitas empresas americanas compraram algumas das fábricas russas e trouxeram sangue novo a essa atividade. É o caso da Svetlana, da Sovtek e da Electro-Harmonix. Graham Woodville está correto ao dizer que válvulas são criadas. A aquisição das fábricas russas trouxe um surto de criatividade técnica e mercadológica, permitindo a continuidade dos valvulados. O tubo SV 572 que utilizo em meus SE é fruto deste surto.


Pergunta nove: Seus amplificadores serão vendidos em dólar ou real? Qual o índice de nacionalização de seus produtos? Os componentes brasileiros melhoraram de qualidade? Por que ainda se fabricam entre nós essa coisa nojenta chamada “fusível brasileiro”, de um filamento só e de queima instantânea? Botões (knobs) e soquetes ainda são aquelas porcarias que se vendiam em 1950?

Resposta: Meus amplificadores são vendidos em dólar, pois todos os componentes vitais são importados (transformador de saída, válvulas, capacitores eletrolíticos especiais, soquetes etc.). A industria brasileira de componentes desapareceu. Nem mesmo resistores são mais fabricados aqui. Sobreviveu a EPCOS (antiga Icotron) graças a uma bem montada operação joint-venture entre a Siemens e Matsushita, que internacionalizou os componentes de sua fabricação. Da Epcos podemos utilizar capacitores eletrolíticos e polipropileno, que já possuem padrão adequado para uso audiófilo. Os demais componentes citados na pergunta não merecem nada mais que o seu próprio comentário: lixo puro. Devemos agradecer essa situação inicialmente à implantação da ZFM (Zona Franca de Manaus) há 30 anos atrás, e, em seguida, práticas nacionalistas inadequadas na época da SEI, culminando com a famigerada gestão Collor, e o que se sucedeu no chamado neo-liberalismo do atual governo. Não adianta chorar o leite derramado.


Pergunta dez: Qual o sistema eletrônico de som musical você tem em sua casa? Qual o gênero de música de sua preferência? Que compositores prefere? Por favor, descreva sua sala de escuta para música reproduzida.

Resposta: Meu equipamento atual para música compreende 2 monoblocos SE 572-3 por mim montados, caixas Yamaha Monitor NS 1000-S (woofer de papelão), pré estado sólido X-calibre (somente utilizado quando coloco vinil para ouvir), CD player e toca-disco Thorens TD-125. O gênero musical é clássico, e um pouco de jazz tradicional. Compositores: desde o barroco até os modernos, passando por Schöenberg, Liggetti e outros. Evidentemente coloco Beethoven, Mozart, Stravinsky, Prokofiev e Verdi na condição de "hor-concours". Minha sala é bastante convencional, acústica controlada por cortinas, tapetes e mobiliário. De algum modo, consegui uma convivência harmônica com minha esposa, com concessões estéticas de ambas as partes.


Pergunta onze: Se você ganhasse a mega-sena, que sistema eletrônico compraria para sua sala de música? Quais as marcas? Válvula ou transistor?

Resposta: Hoje utilizaria valvulados, mas não abriria mão de algum alternativo estado sólido. Quanto à marcas, precisaria mergulhar de cabeça no próximo Entertainment Show 2003. Certamente no Entertainment Show esse hipotético prêmio da mega-sena seria reduzido de algumas dezenas de milhares de dólares.


Pergunta doze: Inversamente, qual o sistema eletrônico para a reprodução do som você mandaria para seu pior inimigo, para infernizar a vida dele? Quais as marcas?

Resposta: Ao meu pior inimigo: Bastaria um giro pelas prateleiras de algum hiper-mercado: mandaria um minisystem de cada marca disponível, para que ele pusesse um em cada cômodo de sua casa... Ah, e completaria com alguns destes DVD players de cantoria em banheiro (chuveiro por conta do presenteado).


Pergunta treze: Que pergunta eu deixei de fazer mas que você gostaria de ter tido a oportunidade de responder. Sinta-se à vontade.

Resposta: Há algum tempo atrás comentei em um evento técnico, ao responder à pergunta: É possível projetar e fabricar High-End no Brasil? A resposta é SIM. E quero deixar claro que estou me referindo a um "high-end" brasileiro, além do internacional. Temos capacitação tecnológica, pessoal tecnicamente interessado, temos futuros audiófilos, nossas salas de concerto lotam em eventos musicais mais acessíveis. Não temos absolutamente nada de componentes dignos deste nome, exceto os já citados capacitores EPCOS, não temos componentes de acabamento e conexão elétrica também dignos deste nome, e, sobretudo não temos empresas de maior porte minimamente interessadas nesse segmento de mercado. Mesmo a primeira que nasceu e prosperou no mercado de áudio, até estar entre as 5 maiores marcas mais conhecidas no mercado brasileiro de eletro-eletrônicos, não quer mais saber do segmento.

Evidentemente, precisaríamos criar condições para que a indústria de áudio brasileira renasça tal qual a mitológica Phenix, mas isto será um assunto a ser tratado nas esferas governamentais. De outra forma, continuaremos a dar empregos a engenheiros e técnicos chineses e coreanos, o que tem sido nossa especialidade de uns 12 anos para cá...

Quero agradecer esta oportunidade e estarei à disposição para aprofundar algumas das idéias aqui expostas.



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