
Teste
– Integrado Exaudi A 510 HE
Publicada na Audio
& Video na edição de dezembro de 2007
Por Flávio Adami
Durante o evento do Hi-Fi
Show 2007, tive a oportunidade de
escutar o sistema composto pelo
amplificador integrado A 510 HE
projetado pelo engenheiro
Salvatore, junto as caixas
desenvolvidas pelo Paulo Ramos.
Confesso fiquei bastante
impressionado com a qualidade
sonora do sistema, principalmente
com a característica sônica do
integrado, que chamava a atenção
quanto a energia que brotava
naquela sala, com
graves cheios e
viscerais saindo de
um amplificador tão
pequeno.
Recordo muito
bem do power 5000
HE e cheguei a
conclusão que o
Salvatore não gosta de
economizar nenhum
pouco, quando se trata de fontes
poderosas e bem dimensionadas.
O integrado 510 HE possui
internamente dois transformadores
toroidais bastante generosos de
alta energia, que se encarregam de
alimentar individualmente cada
monobloco com disposição
simétrica e com dois conjuntos de
dissipadores laterais em alumínio
maciço, um para cada monobloco. |
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O pré-amplificador é do tipo
passivo, sendo que o sinal
selecionado através do imput
selector é encaminhado ao atenuador passo a passo e deste
ponto seguindo diretamente ao
estágio de potência, através de um único capacitor de polipropileno,
eliminando a necessidade de um
pré ativo. O circuito emprega
transistores de potência “mosfet” do
tipo lateral de grande linearidade.
O estágio de entrada utiliza
uma configuração duplo diferencial
balanceado, cada um alimentado
por seu próprio gerador de
corrente. Possui 100 watts por canal,
chegando aos 140 watts com carga
em 4 ohms independente da
solicitação que houver no outro
canal, caracterizando algo muito
favorável quando se utiliza fontes
independentes, fazendo com que o
amplificador trabalhe com muito
mais fôlego, distorção mais baixa e
fator de amortecimento superior
a 500.
A configuração de circuito
utilizada é “single ended” push pull
classe AB, com resposta de
freqüência de 5Hz a 100 Khz e
variação de 0,5 db,com distorção menor que 0,05 Dht de 20hz
20 kHz.
Percebe-se a capacidade da
fonte de alimentação, pois consome
350 VA na potência máxima e
possui um respeitável peso de
15 quilos.
O design e o acabamento são
de ótima qualidade e possuem
painéis disponíveis nas cores preto
e prata.
Liguei o integrado Exaudi ao
meu sistema e deixei a música
fluindo baixinho pelo
menos por uma
hora antes
de
procurar
fazer
qualquer
avaliação.
Após esse
período comecei a prestar mais
atenção no som e ao mesmo
tempo, sempre ajustando da melhor
forma quanto ao set-up de cabos,
tanto das caixas como interconect.
Separei alguns CDs que estou acostumado a utilizar nas minhas
avaliações e ajustei meus ouvidos
ao máximo para poder notar toda
nuance deste pequeno integrado.
Aquela primeira impressão que
tive quando ouvi o integrado da
Cary Audio novamente ocorreu
quando comecei a escutar o
Exaudi. Uma tremenda energia nos
graves mais uma vez me chamou
atenção e fiz questão de destacar esse detalhe, pois ambos são de
conceitos completamente diferentes.
O Cary é um amplificador digital,
não tem transformadores aparentes,
nem capacitores e nem
dissipadores convencionais. O
Exaudi está dentro do estilo
tradicional, com transformadores de
grandes dimensões na fonte com
dissipação lateral para os
transistores de saída.
Após escutá-lo por um longo
período, cheguei a conclusão que
os dois são poderosos,
entretanto o Exaudi me
pareceu ainda mais correto
e a sonoridade
caracterizou-se
resumidamente por um
equilíbrio tonal geral
ainda mais coerente,
com uma grande
envolvência e um
corpo sonoro
cheio e quente.
Para começar a
gama média
baixa do
espectro sonoro,
mostrou uma
excelente qualidade.
Foi um grande prazer
durante o teste escutar as nuances
de um contrabaixo de pau, com
toda extensão, acompanhado de
um controle absoluto e uma
articulação espantosa, junto a uma
gama média particularmente cheia
e rica, agudos claros e bastante
detalhados.
Escutei vários estilos de música
e percebi que além de toda força
que possui é também muito
refinado com música clássica e os
vários discos de música barroca
que ouvi, mostrou também ser muito bom reproduzindo violinos e
violoncelos, mas o grande destaque
foi sem dúvida a música sinfônica,
onde demonstrou toda capacidade
que possui, principalmente nos “tuttis” orquestrais onde os
tímpanos se destacavam com muita
força, mantendo o perfeito
equilíbrio tonal de toda orquestra.
Outra característica que me
chamou atenção foi o bom palco
sonoro que reproduz,
principalmente quanto a profundidade, fazendo notar com
facilidade todos os planos junto a
uma transparência também muito
boa, onde a zona de alta
freqüência deixou os detalhes
mais sutis aparecerem com
muita clareza. É um amplificador de
sonoridade aberta e brilhante,
confesso que no começo tive um
pouco de dificuldade no set-up
dos cabos, pois os que estavam
no meu sistema faziam com que
o amplificador Exaudi soasse brilhante demais, principalmente
nas altas freqüências onde as
gravações de música brasileira,
que já tem uma tendência natural
para puxar um pouco lá em
cima no extremo agudo, às vezes
me incomodavam quando o
excesso de brilho se fazia
transparecer prejudicando o
equilíbrio sonoro. Entretanto, após
o ajuste dos cabos obtive um
refinamento em alta freqüência
onde praticamente todas as
gravações soaram
com muita qualidade.
Costumo sempre
chamar a atenção
para o equilíbrio
tonal que, sem
dúvida, talvez seja o
fator mais importante
para se ter uma boa
satisfação auditiva.
Normalmente, um
amplificador de boa
qualidade não é o
responsável pelo
desequilíbrio tonal,
e sim o ajuste
de cabos,
posicionamento das
caixas e acústica do
ambiente. Não é necessário que
se tenha um equipamento caro
para se obter um bom equilíbrio
tonal, precisa sim de muita
paciência nesse ajuste fino, tão
delicado que às vezes necessita
de meses e meses de dedicação.
Por exemplo, uma sala com
problemas de acústica, onde os
graves ficam gordos demais,
prejudica sobremaneira todo o
equilíbrio tonal, pois encobre a
zona média e alta, ou seja, todas
as freqüências devem estar em absoluta coerência. Às vezes,
dependendo do tempo que o
equipamento fica comigo, ainda
não é o suficiente para uma
absoluta avaliação fiel, mas acho
que no caso do Exaudi deu
para chegar no ponto em que eu
queria e aí sim vem a verdadeira
satisfação de ouvir música. Uma
gravação que gosto muito é o
CD do pianista Michel Camilo,
junto ao contrabaixo elétrico de
Anthony Jackson e a bateria
impecável de Horácio “El Negro”
Hernandez. Escutando este CD
deu para notar toda fidelidade, a
riqueza da percussão, a energia
do contrabaixo, a técnica e a
suavidade do piano. O integrado
Exaudi soube colocar tudo isso
com extrema velocidade e riqueza
de detalhes, com essa gravação
superou as minhas expectativas
mostrando que é um amplificador
com circuito de última geração,
extremamente rápido e ao mesmo
tempo delicado quando a música
assim o exige.
Conclusão
Mais um produto nacional com
muito orgulho e o Salvatore mais
uma vez mostrou que é capaz de
desenvolver produtos de qualidade, usando componentes refinados. Só
fica uma ressalva quanto ao futuro,
que esse integrado venha
equipado com controle remoto,
pois quando estava ouvindo a
parte final da obra The Fireberd
de Igor Stravinsky, a porrada no
final foi muito forte e meus
vizinhos não gostaram nem um
pouco dessa brincadeira a altas
horas da madrugada, pois até
levantar e alcançar o volume o
prédio quase veio abaixo. |
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